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Recomeçar


Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga


Nome:
Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Procurando respostas...

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1.8.07

Morremos Todos

Diogo Mainardi

Quando é que derrubaremos Lula?

A posse do ministro da Defesa, na última quarta-feira, foi o espetáculo
mais indecoroso da história política brasileira. Lula ria. Nelson Jobim
ria. Tarso Genro ria. Guido Mantega ria. Celso Amorim ria. Juniti Saito
ria. Marco Aurélio Garcia ria. Por algum motivo, até mesmo o demitido
Waldir Pires ria. Lula provavelmente se regozijava por ter se safado,
segundo seus cálculos, de mais uma fria. No caso, os 200 mortos da
tragédia da TAM. Ele repetiu despudoradamente, com sua risada, o gesto
de escárnio feito por Marco Aurélio Garcia em seu gabinete, no Palácio
do Planalto. Que espécie de gente tripudia sobre 200 mortos? Como alguém
pode atingir esse grau de pusilanimidade? Se um dos militares presentes
naquela sala batesse vigorosamente as botas, Lula e seus ministros com
certeza sairiam em disparada, aos gritos, acotovelando-se e
pisoteando-se no carpete verde. Eles só sabem cuidar da própria pele e
do próprio bolso. Dane-se todo o resto.

Ninguém derrubará Lula. O que vai acontecer conosco é muito pior: um
progressivo desmoronamento da sociedade. É sempre complicado tentar
apontar o momento em que um país se perde irremediavelmente. Mas, se eu
fosse apostar, apostaria todas as fichas que ele ocorreu na posse de
Nelson Jobim, na quarta-feira passada. Entre uma tirada de bar e outra,
Lula profanou os 200 corpos dando a entender que o desastre poderia
servir pelo menos para diminuir as filas da ponte aérea. Uma sociedade
resiste a um governo corrupto. Ela resiste também a um presidente
incapaz. O que elimina qualquer possibilidade de convívio é o triunfo
dessa boçalidade predatória que caracteriza Lula e sua gente. Eles
cercaram a cidadela e ficaram esperando que nossas reservas de
civilidade acabassem. Elas acabaram. Estamos desarmados e rendidos.

O Brasil é um buraco. Nunca fizemos algo que prestasse. Mas até outro
dia ainda tínhamos uma vaga idéia de como nos comportar. E era essa vaga
idéia que mantinha o país andando. Andando de lado, mas andando. Uma das
regras de comportamento que a gente seguia era manter certa dose de
compostura diante da dor pela morte de alguém. Lula violou essa regra.
Depois de violá-la, tripudiou mais uma vez, ensinando aos familiares dos
mortos do desastre da TAM que "é preciso que a gente tenha momentos de
descontração para tornar a vida menos sofrível". Um dia Lula morrerá.
Mas nós já teremos morrido antes dele.