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Recomeçar


Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga


Nome:
Local: Porto Alegre, RS, Brazil

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17.9.07

Brasileiro Queria O Quê?

     Glauco Fonseca

     O distinto cidadão aí queria ver o Calheiros cassado por quem, pela Ideli Salvati? Pelo Mercadante dos aloprados? O esperto cidadão queria ver o Renan alijado de seu mandato por força de alguém destacado como Wellington Salgado, como alguém eticamente irretocável como o Tião Viana? Queria o quê, mesmo, seu brasileiro sem importância?

     Vai ver queria o presidente do senado trocado por quem? Pelo Sarney, aquele do Maranhão que depois virou do Amapá, pai da Roseana dos 500 mil paus no escritório do maridão? Queria, decerto, que o Almeida Lima, com toda aquela retidão de raciocínio, declarasse seu voto a favor da cassação do amigo Calheiros?

     Tá bom então. Tava esperando o Sibá Machado e a Serys Selhekldlkkasksarenco terem um acesso de bom senso e decidirem se rebelar contra o Ali Babá, votando a favor da perda do mandato do alagoano? Por certo que outra alternativa também esperada era o Epitácio Cafeteira, com aquela energia toda, de repente, liderando um movimento pela moralidade na república, visando a punição exemplar do amigo, contrariando até mesmo sua sábia e macróbia esposa?

     Não?

     Saquei! De repente as coisas ficaram claras como o alvorecer na Jatiúca.

     Quem sabe uma equipe liderada pelos valorosos senadores Valter Pereira, Valdir Raupp, Romero Jucá, Paulo Duque, Neuto de Conto, Mozarildo Cavalcanti, Marcelo Crivella, Leomar Quintanilha, José Maranhão, Gim Argello, Gilvan Borges, Flávio Arns, Augusto Botelho, Antonio Carlos Valladares e Antonio Carlos Junior, todos reconhecidos por jamais terem feito qualquer coisa que prestasse nesta terra perdida, juntos empunhando a bandeira da moral e da ética?

     Fala sério. Era isto que você esperava, seu brasileirinho tolinho?

     Renan Calheiros venceu, com cara-de-pau e elegância, a briga contra todo o país, apoiado pelo pai do Lulinha e da Lurian, pelo irmão do Vavá e pelo compadre do Jorge Lorenzetti. Calheiros, o rei da cocada preta, juntamente com Lula e sua turma de éticos, mais uma tropa de Senadores de primeiríssima qualidade, são imbatíveis, invencíveis, inatingíveis. O episódio do STF foi para o lixo, lugar para onde vão aqueles que ousam restabelecer a moral nacional.

     Descumpra-se a lei! Livrem da prisão todos os assassinos, assaltantes, pedólatras, estelionatários! Abaixo a retidão! A ordem do Senado Federal agora é: Exploda-se o Brasil! Que venham mais quatro anos de CPMF, mais três, quatro, quem sabe oitenta mandatos para Lula. O senado mandou: Exploda-se o Brasil!

     O Senado mandou: Rasgue-se a norma vigente, descumpra-se o determinado por juízes, fiquem livres os espoliadores, roube-se, roube-se, roube-se!

     O Senado de Pedro Simon, de Jefferson Perez e de Eduardo Suplicy morreu hoje. Vida longa ao senado de Calheiros, de Almeida, de Ideli!

     Você queria o quê, mesmo, caríssimo e irrisório cidadão de quinta classe de um país de terceira? Que Renan Calheiros perdesse o poder? Hahaha.

     Vá se queixar para o bispo, para o STF, para a sua mãe. A esta altura, nem a velha acredita mais em você e acha o Calheiros até um rapaz bem apanhado.

     Tava esperando o quê mesmo?

9.9.07

Para Entender...Se For Possível...

1.9.07

A Lógica Do Deboche

"O promotor assassino vai participar como autoridade em julgamentos de assassinatos na cidade onde morou o jovem que ele mesmo assassinou! Isso é um tapa na cara do Brasil"
 
Por André Petry na VEJA deste fim de semana:
 
"Em 30 de dezembro de 2004, o promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl, então com 26 anos, saía de uma festa com a namorada em Bertioga, no litoral paulista, e, diz ele, foi provocado por um grupo de rapazes. Disparou onze tiros. Matou Diego Modanez, 20 anos, e feriu com quatro tiros Felipe Siqueira Cunha de Souza, hoje com 23 anos.
Termina aqui, com esse relato breve e seco, a narrativa dos fatos. E começa a lógica do deboche.
Preso em flagrante, Thales Schoedl ficou 49 dias na cadeia e ganhou o direito de responder ao processo em liberdade. Tudo perfeitamente legal. Chegou a ser expulso pelo Ministério Público de São Paulo, que não queria um promotor assassino nos seus quadros, mas Thales Schoedl recorreu à Justiça e conseguiu o cargo de volta. Tudo perfeitamente legal. Foi expulso uma segunda vez e, de novo, conseguiu ser reintegrado. De novo, tudo perfeitamente legal.
Thales Schoedl obteve, agora, uma outra vitória. Como já tem tempo suficiente na função, pediu para ganhar estabilidade, como acontece com os promotores depois de dois anos de trabalho. E ganhou. Por 16 votos a 15, o Ministério Público de São Paulo concedeu a estabilidade ao promotor assassino. Afinal, o debate sobre a estabilidade é uma questão de natureza administrativa e, nesse terreno, não havia nada que depusesse contra Thales Schoedl. Como questões criminais não podem interferir em questões administrativas, os procuradores entenderam que Thales Schoedl tem todas as condições de trabalhar como promotor. Tudo, mais uma vez, perfeitamente legal. Legal e lógico.
A história não acaba aí. Ao dar estabilidade ao promotor assassino, o Ministério Público lhe restituiu o salário - 10 500 reais mensais - e a função de promotor de Justiça! De Justiça! Suas atribuições incluem fazer o tribunal do júri, onde se julgam crimes contra a vida! Sim, crimes contra a vida! O promotor assassino trabalhará com casos que envolvem assassinatos! O Ministério Público fez ainda mais: despachou o promotor para a cidade de Jales, no interior de São Paulo. Logo Jales! Jales é a cidade onde a família de Modanez, o jovem morto, morou durante um tempo! O promotor assassino participará como autoridade em julgamentos de assassinatos na cidade onde morou o jovem que ele mesmo assassinou! É a lógica do deboche.
Ninguém desconhece que um réu, mesmo confesso, não pode ser punido enquanto não for julgado culpado. Portanto, Thales Schoedl tem direito ao trabalho, ao salário, a morar em qualquer cidade brasileira, como qualquer inocente. Mas a ninguém escapa igualmente que se trata de uma decisão cega e burra, cruel e estúpida, ainda que tecnicamente perfeita. É esse formalismo estúpido, esse pombalismo podre que nos conduz a injustiças inomináveis.
A decisão não é um insulto apenas à família de Diego Modanez. É um insulto a toda a sociedade, ao sentimento de justiça e humanidade que todo o país precisa cultivar para manter-se minimamente agregado. Isso é um tapa na cara do Brasil. Diante de tamanha afronta, a conclusão de Sônia Modanez sobre o futuro do assassino de seu filho é de uma resignação apavorante:
 
- Ele não irá preso. Perdi a esperança quanto a isso. É rico, é influente, vai alegar legítima defesa e nada vai acontecer".
 
 
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E é assim na terra de Lula-lá e os 40 Ladrões...