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Recomeçar


Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga


Nome:
Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Procurando respostas...

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24.8.09

Obra Quase Perfeita

Ricardo Noblat
"Pobre Mercadante: até para sair da liderança tem que pedir autorização ao Lula..." — Deputado Fernando Gabeira (PV-RJ)

Em que data o PT morreu? Não falo deste PT que abana o rabo e faz todas as vontades do seu único dono. Falo daquele que um dia se imaginou o partido mais ético e movido a indignação jamais surgido na História do país. Pois um sapo barbudo ingeriu, deglutiu e obrou o PT que se levava rigorosamente a sério. O sapo barbudo você sabe quem é.

Dá-se por certo que o PT abandonou seus valores e princípios originais depois de subir a rampa do Palácio do Planalto. Que nada! Para escalá-la, ele os abandonara um pouco antes. Mais exatamente na eleição de 1998, a terceira consecutiva perdida por Lula. Na campanha daquele ano, quase todos os escrúpulos foram mandados às favas.

Na seguinte, Lula avisou com antecedência: ou o PT adotava sem vacilação os métodos utilizados pelos outros partidos para ganhar eleições — e uma vez que as ganhasse governar — ou ele não seria mais candidato. Ali nasceu a desculpa que serviria para justificar mais adiante qualquer malfeitoria do PT: "Mas se os outros fazem..

O apoio do PL a Lula em 2002, por exemplo, custou a bagatela de pouco mais de R$ 6 milhões. Refestelados no terraço de um apartamento de Brasília, Lula e seu futuro vice, José Alencar, acompanharam o arremate do negócio discutido dentro de um quarto por José Dirceu, Delúbio Soares e o presidente do PL. Não era assim que se fazia?

Mais tarde, o escândalo do pagamento de propinas para que deputados federais trocassem de partido e votassem como mandava o governo apenas escancarou o que se praticava até então às escondidas. Certa vez, um dos cérebros do mensalão, o publicitário mineiro Marcos Valério, primeiro ameaçou contar tudo, depois pediu ajuda.

Estava com os bens bloqueados.

Respondia a processos.

Precisava de uma grana. Um senador se ofereceu para fazer a ponte entre Valério e Lula. "Você procurou Okamotto?", perguntou Lula ao senador depois de olhar em silêncio a paisagem árida do cerrado recortada nas janelas do seu gabinete no Palácio do Planalto.

Okamotto é o atual presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Fundador do PT, amigo de Lula, cuidava da contabilidade da família Silva e pagou do próprio bolso ao partido uma dívida de Lula não reconhecida por ele.

Okamotto é madeira que cupim não rói. Se ele socorreu Valério? Não sei.

Sei que, a um ano e quatro meses do fim do seu governo, Lula pode bater no peito com orgulho e proclamar sem medo do ridículo: "Eu sou um sucesso". Estão aí as pesquisas que não o deixam mentir. Lula sairá do palácio para entrar na História como um dos três presidentes mais queridos pelos brasileiros, ao lado de Getulio e Juscelino.

Mas que preço foi pago por isso? E quem o pagou? O PT certamente, que se transformou em uma caricatura mal desenhada do que já foi um dia. Suas estrelas mais reluzentes perderam o brilho — José Dirceu, Antonio Palocci, José Genoino, Luiz Gushiken.

Outras sumiram pelo ralo. Afinal, quem dentro do PT ousa contrariar Lula?

Aquele que tentou mais recentemente foi humilhado e forçado a revogar o irrrevogável.

Entre preservar a própria biografia e se arriscar a ver o partido lhe negar a chance de disputar a reeleição, Aloizio "Mercadejante" preferiu a derrota antecipada.

Virou a mais recente Geni da praça. Todo mundo lhe joga pedras. Deve fazer algum sentido para ele.

As instituições também pagaram um preço alto pelo sucesso de Lula. Promovido a semideus, ele contribuiu para aumentar o descrédito dos partidos e desmoralizar o Congresso. A crise do Senado foi do Senado, depois foi do Sarney e por fim é de Lula. Em larga medida, a política deixou de estar a serviço do bem público. Foi privatizada.

Para completar sua obra, Lula só precisa eleger Dilma.

Se conseguir, deixará aberto o caminho para voltar ao poder. Não acredite se ele disser:"Presidente, nunca mais". Dilma será um intervalo entre Lula e Lula.

22.8.09

Adicional De Insalubridade

NELSON MOTTA

 

Como a crônica de uma patifaria anunciada, tudo correu como o previsto. O público assistiu ao vivo a um espetáculo deprimente de cinismo e covardia, protagonizado por um elenco de personagens quase inverossímeis em defesa do indefensável. Não chega a ser um consolo para os 70% de cidadãos que queriam Sarney fora, mas esses senadores não poderão sair na rua nem ir a lugar nenhum, a não ser cercados de seguranças. E vão disputar eleições no ano que vem. 

Freudianamente, Sarney disse sobre o "Estadão" o que parecia dizer ao espelho: um velho de fraque e brincos.

Que nunca fez nada de errado na vida. Que é vítima inocente de cruel campanha. Arquétipo ou caricatura? Mas por que o "Estadão" (e a "Veja", a TV Globo, a CBN, a "Folha de S.Paulo", O GLOBO, a "Zero Hora") iria mover tão cruel e injusta perseguição contra ele? Para enfraquecer o presidente Lula, a resposta está na ponta da língua, como um slogan de campanha. É a conspiração da direita, contra os pobres.

Agora perguntem aos eleitores de Lula, principalmente os de esquerda, se eles sentem orgulho ou vergonha do apoio de seu líder a Sarney e Renan? Alguém duvida que, para a opinião pública, a eventual queda de Sarney beneficiasse Lula? Ou, como perguntei ao Merval e nem ele soube me responder: se Lula e o PT abandonassem Sarney, e o PMDB, magoado, cumprisse a ameaça de abandonar Dilma, para onde iriam Sarney, Renan, Collor, Cabelo, Gim, Almeidinha e o resto da tropa? Para o palanque de Serra, de Marina ou de Ciro? (rs) Para onde iriam esses patriotas? Prefiro não comentar.

Claro, é apenas um sonho republicano, sabemos de todos os cargos e bocas e bocadas que o PMDB tem no governo e não vai largar, nem por Sarney nem por ninguém. É o jogo sujo de sempre, chantagens, alianças de conveniência, tática eleitoral, estratégia política, a luta pelo poder. Os fins justificam os meios, quando a causa é nobre — como a de cada um. Menos da oposição, que é vil, vilã e venal.

Enquanto isto, Sarney vai ficando. E Collor obrando. Os repórteres que cobrem política em Brasília mereciam receber um adicional de insalubridade.

6.8.09

Poema Da Mente

Affonso Romano de Sant`Anna


Há um presidente que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
 E mente de maneira tão pungente
 Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,

Mais que mente, sobretudo, impune/mente...

 Indecente/mente.
 E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
 Vai nos enganar eterna/mente.

 

2.8.09

O Preço Da Concessão

Míriam Leitão 

O maior problema do acordo com o Paraguai não é a concessão em si ao país vizinho, que pode e merece ter o apoio brasileiro para o seu desenvolvimento.

Há dificuldades técnicas concretas: hoje as distribuidoras do Sudeste são obrigadas a comprar de Itaipu. Deixarão de ser? Há também uma questão política: a concessão brasileira não encerrará a pressão paraguaia.

O governo brasileiro diz que o aumento de 213% no preço pago pelo Brasil na cessão de energia não será repassado aos consumidores do país. Ora, é preciso desconhecer o básico em economia para achar que existe um preço que ninguém paga.

Se o Paraguai vai receber mais de US$ 200 milhões a mais por ano, o dinheiro sairá de algum lugar. Se não for da tarifa, sairá do Tesouro. E o Tesouro somos todos nós contribuintes. Portanto, será pago pelos brasileiros.

É bom lembrar que a cessão de energia é apenas uma parte do que se paga ao Paraguai. A Eletrobrás paga o preço de US$ 42,5 por megawatt/hora, mas sobre isso há também royalties, encargos de administração e supervisão. A cláusula de cessão de energia é um outro acréscimo que está no anexo C do acordo.

A lei que obriga as distribuidoras brasileiras a comprar a energia gerada por Itaipu é de 1973. Fica uma dúvida: se o Paraguai pode vender parcelas crescentes de energia no mercado livre, como fica a obrigatoriedade das distribuidoras? Há outra dúvida já resolvida.

O Brasil aceitou que o Paraguai possa usar, ao vender no mercado livre, a mesma estrada que se usa atualmente: o sistema integrado de Furnas. O problema é que no mercado livre não há preço mínimo, a energia tem que ser contratada, o preço oscila, e tanto sobe quanto desce.

O próprio fato de entrar mais energia no mercado livre pode derrubar o preço.

Está entrando aí Jirau, que apostou no mercado livre para oferecer preço mais baixo na licitação. E a recessão está reduzindo o consumo. Como o Paraguai depende dessa receita para cobrir boa parte do orçamento público, é bom que isso fique muito claro, antes que haja problemas.

O Brasil também concordou que Itaipu construa para o Paraguai, com empréstimo do BNDES, a linha de transmissão de Ciudad del Este a Assunção, de 500 kv.

O Paraguai terá 13 anos para pagar. A obra é necessária e justa. Afinal, o país que tem essa quantidade de energia tem também um suprimento deficiente que provoca apagões diários no verão, e não tem insumo para atrair investimentos.

Esta é a melhor parte do projeto do governo brasileiro para a negociação. Não era justo nem sustentável essa situação. Porém, não pode ser visto pelo Paraguai como compensação por uma suposta "usurpação" brasileira. Tem que ficar claro que é uma ação de boa vontade porque interessa a todos o desenvolvimento paraguaio.

O governo Lula negocia de forma errada com os países menores da região. Parece ter uma culpa original, como se tivesse vergonha de ser grande, ou acreditasse no discurso de ocasião de que somos imperialistas. O Brasil não é. Em todo esse processo, desde a negociação do acordo, a construção da usina, a operação de forma compartilhada do empreendimento, em todos os detalhes, o Brasil não se comporta como uma potência colonialista. Pelo contrário.

O Paraguai de vez em quando ameaça ir a cortes internacionais discutir o tratado. Ora, que vá. O Brasil deveria querer que não pairem dúvidas sobre a legitimidade do acordo, porque como ficará claro que o tratado é juridicamente perfeito, o país poderá fazer suas propostas em bases mais maduras.

O presidente Lugo tem problemas. Falarei dos problemas políticos. Sua base política é pulverizada em vários pequenos partidos, de diversas tendências, algumas bem radicais. Ele precisa, para manter um mínimo de governabilidade, do apoio do adversário Lino Oviedo. O general que já tentou um golpe no passado, já morou no Brasil, e voltou para fazer política legalmente no país, virou o pêndulo. Ele aceita dar apoio ao governo — mas não quer cargos — mas estuda caso a caso esse respaldo.

Lugo tem feito um governo considerado pelos analistas como "medíocre", não tem quadros de competência comprovada, e a máquina continua dominada pelo vetusto Partido Colorado, que está no poder desde os tempos da ditadura de Stroessner.

Lugo precisa apresentar o acordo assinado neste fim de semana como uma redenção nacional, como uma prova de ele venceu o gigante, como nunca antes na história desse Paraguai. Desta forma ele se fortalece, mas ao mesmo tempo fortalece a ideia de que o Brasil é devedor de compensações ao país. Logo, os paraguaios concluirão que isso não basta, que outras exigências podem ser feitas.

Querer o desenvolvimento do Paraguai, todos querem.

Mas não temos compensações a fazer. O Brasil ao decidir pela construção de Itaipu naquele ponto, e não em outra parte do rio, ganhou um pouco mais de potência, mas também criou para o Paraguai um ativo que ele não tinha ainda. O Brasil emprestou o dinheiro para o Paraguai integralizar a parte dele; pegou empréstimos internacionais; deu o aval do Tesouro; construiu a usina; e divide a administração da empresa de forma paritária. Não tem do que se envergonhar...