Image hosted by Photobucket.com

Recomeçar


Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga


Nome:
Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Procurando respostas...

Zoundry Blog Writer

Tire todas as suas dúvidas sobre blogs.

Divulgue o seu blog!

All Images Hosting

Follow sansei10 on Twitter

26.2.10

Do Lado Dos Perpetradores

Editorial de O ESTADO DE S. PAULO



São de um cinismo deslavado os comentários do presidente Lula sobre a morte do ativista cubano Orlando Zapata Tamayo, ocorrida horas antes de sua quarta visita à ilha desde que assumiu o governo. Tamayo, um pedreiro de 42 anos, foi um dos 75 dissidentes condenados em 2003 a até 28 anos de prisão. Inicialmente, a sua pena foi fixada em 3 anos. Depois, elevada a 25 anos e 6 meses por delitos como "desacato", "desordem pública" e "resistência". Embora não fosse um membro destacado do movimento de direitos humanos em Cuba, a Anistia Internacional o incluiu na sua lista de "prisioneiros de consciência" vítimas adotadas pela organização por terem sido detidas apenas por suas ideias. Em dezembro, Tamayo iniciou a greve de fome por melhores condições para os 200 presos políticos do regime, da qual morreria 85 dias depois.



Lula conseguiu superar o ditador Raúl Castro em matéria de cinismo e escárnio. Este disse que Tamayo "foi levado aos nossos melhores hospitais". Na realidade, só na semana passada, já semi-inconsciente, transferiram-no do presídio de segurança máxima de Camaguey para Havana. E só na segunda-feira foi hospitalizado. O desfecho foi tudo menos uma surpresa para os seus algozes. Dias antes, autoridades espanholas haviam manifestado a sua preocupação com a situação de Tamayo, numa reunião sobre direitos humanos com enviados de Cuba.
Ele morreu porque o deixaram morrer. Poderiam, mas não quiseram, alimentá-lo por via endovenosa. "Foi um assassínio com roupagem judicial", resumiu Elizardo Sánchez, líder da ilegal, mas tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos.

Já Lula como que culpou Tamayo por sua morte. Quando finalmente concordou em falar do assunto, sem disfarçar a irritação, o autointitulado condutor da "hiperdemocracia" brasileira e promulgador recente do Programa Nacional de Direitos Humanos, disse lamentar profundamente "que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome"
, lembrando que se opunha a esse tipo de protesto a que já tinha recorrido (quando, ainda sindicalista, foi preso pelo regime militar).
Nenhuma palavra, portanto, sobre o que levou o dissidente a essa atitude temerária: nada sobre o seu encarceramento por delito de opinião, nada sobre as condições a que são submetidos os opositores do regime, nada sobre o fato de ser Cuba o único país das Américas com presos políticos. Nenhum gesto de desaprovação à violência de uma tirania.



Pensando bem, por que haveria ele de turvar a sua fraternal amizade com os compañeros Fidel e Raúl, aborrecendo-os com esses detalhes? Ao seu lado, Raúl acabara de pedir aos jornalistas que "os deixassem tranquilos, desenvolvendo normalmente nossas atividades". Lula atendia ao pedido. Afinal, como observara o seu assessor internacional Marco Aurélio Garcia, "há problemas de direitos humanos no mundo inteiro". Mas Lula ainda chamou de mentirosos os 50 presos políticos que lhe escreveram no domingo para alertá-lo da gravidade do estado de saúde de Tamayo e para pedir que intercedesse pela libertação deles todos. Quem sabe imaginaram, ingenuamente ou em desespero de causa, que o brasileiro pudesse ser "a voz em defesa da proteção da vida aos cubanos", como diria o religioso Dagoberto Valdés, um dos poucos opositores da ditadura ainda em liberdade na ilha.



Lula negou ter recebido a correspondência. "As pessoas precisam parar com o hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros", reclamou.



E, com um toque de requinte no próprio cinismo, concluiu: "Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, eu teria pedido para ele parar a greve e quem sabe teria evitado que ele morresse." À parte a falta de solidariedade humana elementar que as suas palavras escancararam ele disse que pode ser acusado de tudo, menos disso,
a coincidência da visita de Lula com a tragédia de Tamayo o deixou exposto aos olhos do mundo e não exatamente da forma que tanto o envaidece.



A morte de um "prisioneiro de consciência", a afirmação de sua mãe de que ele foi torturado e o surto repressivo que se seguiu com a detenção de dezenas de cubanos para impedir que comparecessem ao enterro do dissidente no seu vilarejo natal transformam um episódio já de si sórdido em um escândalo internacional.
Dele, Lula participa pela confraternização com os perpetradores de um crime continuado que já dura 51 anos.

20.2.10

A Grande Arca Da TV Brasil

Diogo Mainardi
 
"A mandinga contra a 'hegemonia cultural americana' pode parecer ridiculamente antediluviana, mas os orangotangos e os patos do petismo se sentem reconfortados por ela"

 

Deus passa o dia inteiro com a TV ligada. Ele só assiste à TV Brasil. Ninguém assiste aos programas do canal, segundo os dados do Ibope. Somente Ele. Deus é o único espectador da TV Brasil. Como é que eu sei disso? Lula contou. Está lá, nas tábuas da lei do lulismo, o Dicionário Lula, de Ali Kamel: "Deus me deu o segundo mandato para fazer a TV pública brasileira".

Lula, como Noé, respondendo ao chamado do Onipotente, fez o que lhe foi ordenado. Primeiro, ele construiu a grande arca da TV Brasil, revestindo-a de betume. Em seguida, embarcou nela um casal de cada espécie - um orangotango e uma orangotanga, um pato e uma pata, um Franklin Martins e uma Dilma Rousseff - e conduziu-os por quarenta dias e quarenta noites até os montes Ararat do éter, a fim de que eles se multiplicassem incestuosamente e povoassem a "TV pública brasileira" com seus descendentes.

Agora Deus tem outro plano. Ele decidiu destruir a TV a cabo. Ele disse a Marco Aurélio Garcia: "O fim de Law & Order é chegado perante mim". Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Dilma Rousseff, lhe obedeceu. Se Deus fizer com que Dilma Rousseff seja eleita, repetindo o que Ele já fez com Lula, "tudo o que há na TV a cabo expirará". Marco Aurélio Garcia é autor de alguns dos maiores mitos apócrifos do lulismo. O último deles foi comparar American Idol à Quarta Frota dos Estados Unidos. Como sabemos que Deus elege o presidente do Brasil de olho na TV, escolhendo candidatos que lhe garantam programas como ABZ do Ziraldo, Dilma Rousseff já está eleita. O Brasil seria poupado de um monte de aborrecimentos se, para trocar de canal, Deus simplesmente usasse o controle remoto.

O mesmo Deus que elege o presidente do Brasil pode matar o presidente dos Estados Unidos. De uns tempos para cá, alguns pastores americanos passaram a imprecar para que Deus mate Barack Obama. Eles entoam o Salmo 109: "Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício". Marco Aurélio Garcia entoa o Salmo 109 contra o doutor House e a Quarta Frota Naval dos Estados Unidos. A mandinga contra a "hegemonia cultural americana" pode parecer ridiculamente antediluviana, mas os orangotangos e os patos do petismo se sentem reconfortados por ela. Para Marco Aurélio Garcia e suas criaturas, reunidos no congresso do PT, o paraíso terrestre está localizado na central nuclear iraniana de Natanz. Lula quer viver 950 anos, como Noé. Por isso, em 16 de maio, ele visitará o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (Salmo 109 nele!) e obterá seu apoio para a candidatura de Dilma Rousseff. O apoio de Deus? Esse ele já tem.

14.2.10

Só O Arruda?

Guilherme Fiuza



O governador afastado do Distrito Federal foi em cana no carnaval. Os dias de folia não são muito propícios à reflexão, mas algumas se tornam inevitáveis.

José Roberto Arruda foi preso porque um suposto emissário seu foi flagrado tentando subornar um jornalista. Queria comprar uma versão sua que desqualificasse os vídeos onde Arruda aparece recebendo dinheiro.

O tal emissário confessou que estava agindo a mando de Arruda. O STJ e o STF acreditaram nessa confissão, e no bilhete atribuído ao governador, que provaria sua manobra para corromper as provas contra si.

A Justiça não quis esperar a perícia do bilhete, nem a investigação do suposto emissário, para ver se sua confissão era autêntica – ou se tudo fazia parte de uma armação contra Arruda. Correu o risco. Só o processo vai mostrar se foi uma prisão histórica ou desastrosa.

Parece evidente que Arruda estava à frente de um esquema podre. Mas se a decisão de prendê-lo foi correta, tem mais gente grande por aí que não podia estar solta.

Em 2006, assessores do senador Aloizio Mercadante – os aloprados – foram filmados comprando um dossiê que incriminava José Serra, adversário de Mercadante na campanha para governador de São Paulo. O candidato do PT gritou que não tinha nada com isso, e ficou tudo bem.

Arruda também poderia gritar que não tem nada com isso, que seu suposto emissário é um mentiroso e que não mandou comprar jornalista nenhum.

Em 2005, o publicitário Duda Mendonça confessou que recebeu dinheiro por fora, no exterior (crime contra o fisco), como pagamento pela campanha de Lula. Nenhum dos dirigentes do PT que roubaram o contribuinte ouviu falar em voz de prisão.

Roberto Jefferson confessou sua participação no esquema do mensalão, e apontou José Dirceu como mentor.
O caminho do valerioduto até a boca do caixa e os bolsos dos deputados foi fartamente demonstrado. Mas as autoridades governamentais ficaram livres e soltas para calar as testemunhas que quisessem.

José Roberto Arruda está muito sozinho na cadeia.