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Recomeçar


Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga


Nome:
Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Procurando respostas...

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28.8.10

Fuga Para O Vencedor

RUY  CASTRO 

Em 1984, quando se estabeleceu que Tancredo Neves e Paulo Maluf disputariam a presidência no Colégio Eleitoral (formado pelos deputados e senadores), o quadro parecia óbvio. Tancredo atrairia os democratas, os patriotas, os que queriam o Brasil de volta para fazer dele um novo país. Com Maluf ficariam as raposas, os fantasmas da velha ordem, os oportunistas, os que se locupletaram com os militares no poder.
Ou seja, Tancredo atrairia o voto ideológico; Maluf, o fisiológico. E, como o Congresso já era então um viveiro de fisiológicos, não seria surpresa se Maluf vencesse.
Mas, em poucas semanas, quando ficou claro que o povo, esgotado por 21 anos de ditadura, queria respirar, eles decidiram que Tancredo deveria ganhar. Donde deu-se a maciça migração de votos. Em de 15 de janeiro de 1985, Tancredo foi eleito por massacrantes 480 votos contra 180 de Maluf. O que acontecera? O Colégio Eleitoral ficara súbita e corajosamente ideológico?
Não, era o contrário. Os fisiológicos é que abandonaram seu mentor e se grudaram naquele que despontava como vitorioso. A equação se invertera. Com Maluf, ficaram os malufistas sinceros e radicais – logo, ideológicos. Já Tancredo assimilou todos os demais: as raposas, os fantasmas da velha ordem, os oportunistas etc., assim como já assimilara José Sarney como seu vice.
O mesmo está acontecendo hoje, com a diferença de que a eleição é direta. Ao sentir o vento soprar para Dilma Rousseff, pessoas que normalmente estariam ao lado de José Serra têm se esmerado no contorcionismo a fim de se aproximar da candidata de Lula. É a fuga para o vencedor. A cada ponto conquistado nas pesquisas, Dilma terá mais dinheiro, comícios, palanques, siglas e aliados do que Serra.
A Serra, no dia 3 de outubro, restará contar os amigos que lhe restaram – os que não se juntaram à hemorragia.

26.8.10

Frase Da Semana

Enquanto os alemães têm um polvo imerso num aquário e que sabe de tudo, os brasileiros tem uma lula, curtida na cachaça e que nunca sabe de nada.

De Um Grande Para Outro Grande

Premieresports

De um grande para outro grande

O que vale mais? Vagner Love no Palmeiras ou no CSK? Carlos Eduardo no Grêmio ou no Hoffenheim? Ramires no Cruzeiro ou no Benfica? A saber: no Palmeiras, Love valia 5 milhões de euros e no CSK, vale 30 milhões de euros. Carlos Eduardo, no Grêmio 8 milhões de euros  e no Hoffenheim 33 milhões de euros. E Ramires, jogador da seleção que mais lucra com patrocínio e imagem no mundo, vale 4 milhões no Cruzeiro e 20 milhões no Benfica.

Para tentar solucionar tal disparate, basta entender que quem dita o valor e as regras é o dono dos direitos federativos do jogador, o clube, e não o mercado. Por mais estranha que soe a afirmação, significa dizer que o valor de um jogador está atrelado à vontade e à necessidade de sua venda. Dessa maneira, quanto mais forte economicamente estiver o cube – ou seu dono – mais difícil o jogador sair por dinheiro. Por quê? Porque simplesmente aquele que é o detentor desses direitos não precisa vender seu atleta para fazer dinheiro. Assim, projeta-se um valor agregado; aquilo que se pode lucrar por meio de contratos publicitários, direitos de imagem, renegociações de direitos de TV, cotas de amistosos, torneios no exterior, participação dos clubes em patrocínios individuais. – E aí está a resposta para a grande diferença: se o time europeu estabelece um valor baseado em marketing, licenciamento de produtos, etc., o brasileiro ainda tem na venda, e só nela, sua grande fonte de renda.

Como mudar tudo isso? Havendo uma ruptura total com o sistema. O europeu deve saber que não virá mais pechinchar na colônia e o empresário deve abrir mão de seu percentual na venda de seu cliente. Querendo ou não, o Santos FC, deu um grande passo em direção a tal realidade. Sabedor do real valor de seu jogador, não aceitou apenas os 60% da venda a que tinha direito – tentando, é preciso dizer, corrigir um equívoco de administrações passadas, nas quais era comum, para saldar dívidas, a venda de percentuais de suas jovens promessas em troca de dinheiro imediato.

Independentemente das razões do Santos, fato é que o clube respeitou sua tradição como marca. Pode-se afirmar, sem receio, que não há comparação entre Santos e Chelsea. Este último é um time rico porém, infinitamente menor que o Santos FC.. Prova disso é que há algumas décadas um jogador como Neymar nunca iria para esse clube e sim para os grandes europeus, como Arsenal, Liverpool, Real Madrid, Barcelona, Milan, Juve, ou seja, de um grande para outro grande. E não de um grande para um rico.

Vestir a camisa de um jogador, como se fala, é contextualizá-lo do momento sócioeconômico e cultural que está inserido. É importante que se respeite não só sua vontade mas também orientá-lo de seu real valor de mercado.

Com Neymar, o Santos vai ganhar em visibilidade – com a internet e TVs a cabo, qualquer jogo do Santos é visto  em qualquer parte do mundo.

Se um jogador de ponta quiser jogar na Europa, que vá. Mas que siga seu sonho de menino e vá jogar em um grande clube. É inconcebível que jogadores como Ricardo, zagueiro do Porto, valham 30 milhões de euros e Neymar também. O Santos deu um passo para que os clubes brasileiros compreendam a incontestável e necessária profissionalização de um departamento de marketing. Sua independência e força dará suporte aos departamentos de futebol. Cabe a dica aos clubes: com tal profissionalização, não haverá mais pressa em vender jogador, venda prematura de percentuais de partes dos direitos de seus jovens talentos ainda na base, interferência de empresários….

Giuseppe Dioguardi (agente da FIFA)

14.8.10

Incompetência Gerencial

EDITORIAL O Estado de S.Paulo

O governo Lula deixará a seu sucessor uma conta de restos a pagar no valor de R$ 90 bilhões, segundo estimativa de técnicos do governo divulgada no Estado de domingo. Essa conta tem crescido ano a ano, de acordo com a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, porque a atual administração aumentou os investimentos públicos. Mas a explicação esconde a verdade. A transferência de pagamentos de um ano para outro tem aumentado seguidamente porque o governo federal tem sido incapaz de investir as verbas autorizadas no Orçamento-Geral da União (OGU).

Neste ano, até 5 de agosto, o governo federal desembolsou R$ 23,4 bilhões para investimentos custeados pelo Tesouro. Isso representa apenas 34,3% da verba de R$ 68,2 bilhões autorizada no orçamento, embora mais de metade do exercício já tenha transcorrido.
Mas só R$ 7,5 bilhões foram pagos com recursos previstos para 2010. Os demais R$ 15,9 bilhões correspondem a restos a pagar de exercícios anteriores. Só na rubrica investimentos ainda há restos a pagar de R$ 33,7 bilhões. Para todos os tipos de despesas, a parcela relativa a restos chega a R$ 58,8 bilhões, de acordo com o último balanço divulgado pela ONG Contas Abertas, especializada no acompanhamento e na análise das finanças públicas.

De janeiro até o começo de agosto, portanto, a liquidação de restos a pagar foi pouco mais que o dobro dos pagamentos custeados com dinheiro previsto na programação de 2010.

Despesas são inscritas como restos a pagar quando são empenhadas num exercício e não liquidadas até 31 de dezembro. Alguma transferência desse tipo é normal, porque nem todos os gastos contratados num ano são pagáveis até dezembro. Mas esse tipo de operação contábil aumentou nos últimos sete anos, especialmente depois de lançado o primeiro Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Isso não torna verdadeira a explicação da ex-ministra e candidata Dilma Rousseff. As verbas inscritas no OGU para cada exercício devem corresponder - é razoável supor - ao andamento estimado das obras e compras de equipamentos. Mas a experiência tem desmentido repetidamente essa suposição.

O investimento esperado simplesmente não se realiza porque o governo está despreparado para elaborar projetos e para administrar sua execução. Muitos projetos empacam na avaliação de seus efeitos ambientais, seja por defeito de elaboração, seja porque os órgãos de licenciamento cumprem mal a sua tarefa. Alguns são brecados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por defeitos técnicos na parte financeira ou por falhas em licitações.

Em muitos casos, tudo se passa como se os projetos fossem preparados por funcionários desinformados das normas financeiras aplicáveis à administração pública. Em vez de cobrar maior cuidado no desenho de projetos e nas licitações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protestou mais de uma vez contra o TCU, como se esse órgão fosse um entrave à realização dos investimentos públicos.

A incapacidade do governo para elaborar e executar projetos foi agravada pelo aparelhamento da administração federal, em todos os seus níveis. Exemplos de gestão deficiente ocorrem tanto na administração direta como na indireta.

O chamado PAC orçamentário é um fracasso bem conhecido. O PAC das estatais só avançou parcialmente - o Grupo Petrobrás tem sido responsável por cerca de 90% do valor investido. Nos demais setores os projetos foram tocados com muito menos eficiência. No conjunto só foram investidos, em três anos, 63% dos R$ 638 bilhões programados para 2008-2010.

Isso não impediu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de lançar o PAC 2, com um total previsto de R$ 1,6 trilhão de investimentos a partir de 2011. Para avançar nessa direção, o governo precisará, antes de mais nada, tirar o atraso do primeiro PAC.

No caso da administração direta, a herança para o próximo governo é facilmente previsível: restos a pagar estimados em R$ 90 bilhões - na maior parte por causa de investimentos em atraso - e um orçamento cada vez mais inflexível e sobrecarregado de gastos de custeio. A moldura desse quadro é uma notável incapacidade gerencial.

Trapalhona

GIBA UM

A candidata Dilma Rousseff queixou-se a Lula do tratamento que recebeu dos âncoras do Jornal Nacional, Fátima Bernardes e William Bonner. Achou que "eles foram indelicados", o que provocou a reação do Chefe do Governo que estrilou em Belo Horizonte, alegando que "por ser mulher, merecia maior gentileza". Os dois âncoras, só para os chegados da Globo, consideraram-na "arrogante" e achando que já ganhou. No Jornal Nacional, disse que "a Baixada Santista era no Rio"; depois, foi ao Jornal das Dez, na Globo News. Sentou, não sabia direito que noticioso era aquele, a assessoria soprou e ela disparou: "Boa noite, André. Boa noite, Trigueiro". E eram mesmo dois entrevistadores: um, André Trigueiro, o outro, Carlos Monforte, jornalista mais do que conhecido.

Dilma Usou Topete No Debate Só Para Humilhar Serra

Serra chorou ao lembrar de quando era exilado, Marina de quando era pobre e Dilma de quando era feia.

NELITO FERNANDES

Repórter da sucursal Rio de ÉPOCA, escritor, autor teatral e roteirista da TV Globo. Nesta coluna tenta misturar humor e opinião comentando o noticiário, embora admita que na maioria das 
vezes é difícil manter o humor

Extra! Extra! Denúncia de discriminação capilar: Dilma usou topete no debate só para humilhar o Serra. Igualzinho ao que o Fernando Henrique fez com o Lula, lembra: usou a mão espalmada com cinco dedos como símbolo da campanha.

A Marina Silva lembrou do seu passado na favela do coque, que é de arrepiar os cabelos. Aliás a Marina disse tantas vezes que era pobre que a gente ficou sem saber se ela é candidata à presidência ou a receber o Bolsa Família. Mas pela primeira vez a Marina teve voz na TV. E a gente descobriu que com aquela voz ela já deve ter sido dubladora do Patolino.

A julgar pela quantidade de propostas, no fim das contas o debate deixou o eleitorado dividido. Metade acha que agora vai votar nulo, a outra metade acredita que vai votar em branco. Pelo menos para os candidatos o debate emocionou.. Serra chorou ao lembrar de quando era exilado, Marina de quando era pobre e Dilma de quando era feia. Plinio chorou ao lembrar de sua infância, quando seu dinossauro de estimação morreu.

11.8.10

Muito Político Faz Chorar Com A Mesma Matéria-Prima Que O Humor Faz Rir

DANILO GENTILI
ESPECIAL PARA A FOLHA
 

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) está preocupado, pois entendeu que satirizar um candidato na TV gera desigualdade no processo eleitoral. Ufa! Agora os indefesos candidatos já podem respirar aliviados e se concentrarem na campanha em que, na mesma TV, durante a propaganda eleitoral gratuita, um terá 10 minutos a mais que o outro para expor suas idéias. Isso sim é democrático, igualitário e... Droga... Aqui caberia uma piada, mas não posso fazê-la.

Agora é contra a lei ridicularizar o candidato. Então, lembre-se: por mais ridículo que ele seja, guarde segredo.

Exemplo: Ainda que Collor ridiculamente ligue pra casa de um jornalista o ameaçando de agressão, por mais tentador que seja não mire sua lupa cômica nisso. Ele é candidato, e candidato aqui não fica exposto, fica blindado. O TSE não é o feirante japonês que deixa a mercadoria exposta para que possamos apalpar e cheirar antes de levar. Ele é o coreano do Paraguai que a deixa na vitrine. Você não toca, não cheira. Apenas paga. Quando chegar em casa, reze antes de abrir a caixa.

E a discussão se essa censura é ou não constitucional? Tenho fé que em breve teremos uma resposta sensata. Logo após eles chegarem à conclusão de outra discussão que há anos os perturbam: afinal, o fogo é ou não quente?

O humorista pega a verdade e a exagera. Ao contrário do político, a verdade é imprescindível para o sucesso de seu trabalho.. E esse é o problema. Num país onde culturalmente é bonito lucrar com a mentira, a verdade não diverte. Assusta. Indigna.

Onde já se viu um coronel permitir que manguem de sua cara em sua província? Então censuremos! Por isso, recentemente, tivemos imprensa brasileira censurada, jornalista estrangeiro expulso, repórter agredida e agora, humorista amordaçado. É melhor que o Estado defina o que pode ou não ser passado para o público, assim o público continua passando o que interessa para o Estado.

Aristófanes, pai da comédia antiga, exercia abertamente sua função de fazer o público rir, criticando instituições políticas e seus representantes. Se fosse brasileiro, hoje, Aristófanes não poderia realizar seu ofício. A visão democrática do TSE está mais atrasada que a da Grécia de 400 a.C.

Henri Bergson, filósofo francês, afirmou que "não há comicidade fora daquilo que é propriamente humano. Comicidade dirige-se à inteligência pura". Filosoficamente, o pessoal do TSE não é humano, nem inteligente o bastante para compreender o que foi escrito há quase um século atrás.

Freud, pai da psicanálise, entendeu que "rir estrondosamente, satirizar personagens e acontecimentos fazem parte da nossa experiência cotidiana e é crucial pra nossa condição humana". Um século depois, temos uma lei que impede a manifestação do cômico num evento tão importante pra sociedade como a eleição. Psicossocialmente falando, a democracia brasileira encontra-se retardada.

Estudos observam que primatas riem de boca aberta para manifestar raiva e hostilidade. A evolução preservou o instinto do riso no ser humano para que fosse a válvula de escape substituta à agressão física. A lei eleitoral quer abafar o instinto compulsivo da piada e do riso (e sabe lá Deus aonde isso vai pode explodir). Biologicamente, eles estão forçando um passo atrás na escala evolutiva.

Enquanto o Brasil se orgulha de dialogar com países desenvolvidos o suficiente para que nenhuma forma de comunicação seja restrita, a gente fica aqui rindo das imitações de Silvio Santos, porque é o que se pode fazer no momento. Claro, enquanto o Silvio Santos não for candidato.

Muito político faz chorar. Com a mesma matéria-prima o humorista faz rir. Para o TSE a segunda opção é uma ameaça e precisa ser contida.

A liberdade de expressão aqui tem o mesmo conceito de liberdade do zoológico. Faça e fale o que quiser. Você é livre! Desde que não passe os limites da sua jaula.

Não me multem, por favor. Isso não foi uma piada.

DANILO GENTILI é comediante stand-up e repórter do CQC da Band.

8.8.10

O Amigo Iraniano Responde Com Um Pontapé Ao Recado Carinhoso Do Palanqueiro

Augusto Nunes
 
Em maio, durante a chanchada protagonizada  pelos presidentes do Irã, do Brasil e da Turquia, Mahmoud Ahmadinejad resumiu os motivos que o fizeram associar-se ao clube dos amigos de infância de Lula. "Gostaria de agradecer mais uma vez ao meu grande amigo pela perspectiva independente e muito otimista que ele tem para as relações mundiais com base na justiça e na amizade". Sempre que o filhote mais perigoso dos aiatolás fala em justiça e amizade, deve-se deduzir que o estoque de urânio enriquecido acrescentou  algumas toneladas. Lula acredita.

Há uma semana, o presidente brasileiro aproveitou a condenação à morte por apedrejamento de Sakineh Muhammadi Ashtiani para afagar o delinquente de estimação. Invocando a importância de se respeitar a lei, que no Brasil atropela de meia em meia hora, Lula negou-se a interceder em favor da mulher marcada para morrer. O pronto e áspero revide dos brasileiros decentes, em ação sobretudo na internet, obrigou-o a recuar.

Neste sábado, durante um comício em Curitiba, o oportunista incurável valeu-se do caso de Sakineh para, simultaneamente, posar de misericordioso, caçar votos para Dilma Rousseff e festejar o caso passional entre Brasília a Teerã.
"Já que minha candidata é uma mulher eu queria fazer um apelo a meu amigo Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã e ao governo do Irã", caprichou na redundância. "Se vale a minha amizade e o carinho que eu tenho pelo presidente do Irã e pelo povo iraniano, se essa mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil de bom grado".

Três dias depois de endossar o apedrejamento, o palanqueiro desconfiou de que seria mais lucrativo eleitoralmente candidatar-se a hospedeiro de Sakineh. Excitado pelos aplausos, o animador de auditório foi em frente.
"A traição lá tem um tipo de pena que é enterrar a mulher viva e deixar a cabeça para fora para o povo jogar pedra", resumiu a introdução da piada: "Fico imaginando se um dia tivesse um país do mundo que se o homem trair fosse apedrejado. Eu queria saber quem é que ia gritar: atire a primeira pedra aquele que não traiu". Lula terminou a frase cantarolando.

O sorriso do animador ordenou ao auditório que achasse aquilo engraçado. Os devotos riram da brincadeira macabra. Enquanto um lado do rosto de Dilma Rousseff se deslumbrava com o humor do Mestre, o outro reverenciava o monumento à clemência.
"A atitude do presidente tem uma importância significativa para todas as mulheres ", recitou. "Mais uma vez, Lula pregou o diálogo".  Faltou combinar com os aiatolás, descobriram nesta terça-feira o dono do circo e a trapezista.

Ao saber da discurseira em Curitiba, Ahmadinejad escalou para a resposta um certo Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria iraniana. 
"Até onde sabemos, Da Silva é uma pessoa muito humana e emotiva, que provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso", disse o funcionário do terceiro escalão. Referindo-se ao destinatário do recado pelo  sobrenome, prometeu que o governo iraniano vai explicar a Lula que Sakineh é "uma criminosa condenada".

De onde menos se espera é que não vem nada mesmo, comprovou a reação subalterna. Em vez de solidarizar-se altivamente com Sakineh, e reiterar a disposição de cumprir a promessa esboçada no palanque, começou a preparar a rendição. Num dos intervalos da reunião de cúpula do Mercosul em San Juan, na Argentina, primeiro fingiu enxergar um afago no que foi uma cotovelada:
"Eu fico feliz que o ministro do Irã tenha percebido que eu sou um homem emocional. Eu sou muito emocional". Em seguida, desqualificou o que havia chamado de "apelo": "Eu não fiz um pedido formal de asilo. Eu fiz um pedido mais humanitário".

A trajetória errática do falatório denunciou o  constrangimento provocado pela ríspida mensagem de Ahmadinejad.  Começou batendo no cravo:
"Pelo que se fala na imprensa, ou ela vai morrer apedrejada ou enforcada, ou seja, nenhuma das duas mortes é humanamente aceitável. Obviamente, se houver disposição do Irã em conversar, nós teremos imenso prazer em conversar e, se for o caso, trazer essa mulher para o Brasil". E então bateu na ferradura:
"Sobre a questão dos direitos humanos no Irã, eu não conheço profundamente como funciona o Irã, o que sei é que cada país tem a sua lei, tem a sua Constituição, a sua religião.  E nós precisamos, concordando ou não, aprender a respeitar o procedimento de cada país. Acho que, se nós aprendêssemos a respeitar a soberania de cada país, seria muito melhor".

Nem mesmo um campeão da hipocrisia se atreveria a chamar Ahmadinejad de "amigo querido" se soubesse como funcionam as coisas no Irã. Muito menos ousaria defender a preservação de códigos inacreditavelmente sórdidos. Caso queira saber o que faz o bom companheiro, basta ao presidente conferir os dois vídeos alojados na seção História em Imagens. As cenas fortíssimas podem ultrapassar os limites do suportável.

Lula merece ser obrigado a vê-las e dizer o que acha. Se não ficar espantado, estará provado que, se o monarca de cordão carnavalesco tivesse sido imperador, mandaria prender quem se opusesse às leis que pretendiam eternizar a escravidão. Como só chegou ao poder muito mais tarde, os homens lúcidos daqueles tempos escaparam do que sobrou para os brasileiros deste começo de século.

7.8.10

Frase Do Fim De Semana

Tenho um amigo que tem um lado gay. O de trás.

3.8.10

Isso Que É Ator

Exibir É O Cara!

1.8.10

Sobre Avacalhações

Clóvis Rossi
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acha que acaba virando uma esculhambação se algum país desobedecer suas leis para atender pedidos de presidentes.

E daí, presidente? Se as leis são primitivas, medievais, como a que prevê a lapidação de adúlteros e adúlteras no Irã, viva a avacalhação. Ditadura é mesmo para ser avacalhada.

O presidente sabe disso. Tanto sabe que, em seus tempos de sindicalista, deu valiosa contribuição para avacalhar a ditadura militar, ao desafiar suas leis e, mais ainda, o arbítrio não previsto nem mesmo nas leis de exceção.

Além disso, não achava avacalhação pedir a solidariedade de sindicatos e autoridades estrangeiras.

Inúmeros companheiros seus, na época, também recorreram a governantes estrangeiros para tentar pressionar a ditadura. Ou avacalhá-la, se o que vale é a nova e atual versão de Lula.

Conheço pelo menos um caso de ex-preso político, torturado, que agradece até hoje a ação do então presidente norte-americano Jimmy Carter para afrouxar as regras da ditadura (ou avacalhá-las, diria o Lula-2010) e preservar a sua vida.

Os militares rangeram os dentes, reclamaram, espumaram, mas a vida seguiu, as relações diplomáticas, econômicas e comerciais só fizeram melhorar com o passar dos anos, até porque, como diz o chanceler Celso Amorim, "negócios são negócios". Princípios, bom, aí é outra história.

Ditaduras são, se o leitor me perdoa a incorreção política, como se dizia ser a mulher do malandro: a gente pode até não saber porque está batendo, mas elas sempre sabem porque estão apanhando.

Logo, Lula não precisa ter medo de perder negócios se fizer com a ditadura iraniana, como presidente, o que fazia com a brasileira, como opositor. Ajudaria a não avacalhar a sua própria biografia.